Doomscrolling é o hábito de consumir continuamente notícias negativas nas redes sociais, impactando o bem-estar e a saúde mental.
Você provavelmente já abriu uma rede social para se informar por alguns minutos e, quando percebeu, já havia passado muito mais tempo rolando a tela.
Entender o que é doomscrolling, adotar um uso mais consciente da internet e reconhecer seus sinais é o primeiro passo para construir uma relação mais saudável com as redes sociais. Veja, neste artigo:
- O que significa doomscrolling?
- Principais sinais de que você está praticando doomscrolling
- Quais são os riscos do doomscrolling para a saúde mental?
- Como evitar o doomscrolling: estratégias práticas
O que significa doomscrolling?
Doomscrolling é o hábito de continuar rolando a tela para consumir conteúdos negativos, alarmantes ou angustiantes, mesmo quando isso causa desconforto.
O termo vem da junção de duas ideias em inglês: doom, associada a desastre ou desgraça, e scrolling, que é o ato de deslizar a tela em busca de mais conteúdo.
O fenômeno ficou conhecido pelo termo em inglês doomscrolling, que foi reconhecido pela Oxford como uma das palavras que marcaram o ano de 2020. E não é por acaso: foi justamente durante a pandemia que o isolamento social intensificou o tempo de tela e reforçou uma rotina de consumo contínuo.
Principais sinais de que você está praticando doomscrolling
Muitas vezes, o doomscrolling se instala como um hábito cotidiano e só chama atenção quando começa a afetar o humor, o foco ou o descanso. E alguns sinais podem indicar esse comportamento. Veja a seguir!
Você sente dificuldade de parar, mesmo ficando mal
Este é um dos sinais mais comuns: a pessoa percebe que está angustiada, cansada ou irritada, mas continua rolando o feed.
Esse comportamento compulsivo ajuda a explicar por que o doomscrolling vem sendo estudado não apenas como hábito digital, mas como uma dinâmica ligada à ansiedade, à necessidade de atualização constante e ao medo de perder algo importante.
Um estudo recente da Science Direct também apontou que traços como FOMO (Fear of Missing Out) podem ajudar a sustentar esse ciclo compulsivo com foco em conteúdos com viés negativo.
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Seu humor piora após usar redes sociais
Após rolar a tela por muito tempo, é comum surgir a sensação de exaustão mental, preocupação sem foco, medo, tristeza ou irritabilidade.
Isso acontece porque a exposição contínua a conteúdos negativos pode manter a mente em estado de alerta e ampliar a sobrecarga emocional. Quando esse padrão se repete, o uso das redes sociais deixa de informar e passa a afetar diretamente o bem-estar.
O consumo de conteúdo começa a atrapalhar o sono ou a concentração
Muita gente pratica doomscrolling à noite, um pouco antes de dormir, ou logo ao acordar. Com o tempo, esse hábito pode dificultar o relaxamento, aumentar a agitação mental e prejudicar o foco ao longo do dia.
Não por acaso, estudos já associam o uso excessivo de redes sociais a impactos negativos na qualidade do sono e impacto severo no tempo levado para uma pessoa adormecer.
Por outro lado, as mesmas pesquisas também indicam que reduzir o tempo de exposição às telas pode favorecer uma rotina mais equilibrada e melhorar a qualidade do descanso.
Você checa notícias negativas várias vezes ao dia
Mesmo sem necessidade prática, você sente vontade constante de atualizar o feed, rever manchetes ou buscar novos desdobramentos.
Esse padrão repetitivo aparece ligado à sensação de que é preciso continuar acompanhando conteúdos difíceis para entender melhor a situação ou não ficar por fora (FOMO).
O problema é que essa repetição nem sempre traz clareza; na verdade, em muitos casos, ela só prolonga o estado de alerta.
Você sente que o mundo está sempre piorando
Um estudo intercultural realizado com universitários no Irã e nos EUA encontrou associação entre doomscrolling e níveis altos de ansiedade existencial, sugerindo que o consumo repetitivo de notícias ruins afeta tanto o humor imediato, mas também a forma como a pessoa percebe o mundo ao redor.
A exposição contínua a conteúdos negativos pode distorcer a percepção da realidade, fazendo parecer que tudo está em crise o tempo inteiro.
Quais são os riscos do doomscrolling para a saúde mental?
Conforme indicam os estudos e comportamentos observados ao longo deste artigo, o doomscrolling pode gerar impactos reais na saúde mental e no equilíbrio da rotina. Entre os principais riscos desse hábito, estão:
- aumento da ansiedade;
- exaustão e sobrecarga emocional;
- piora do sono;
- dificuldade de concentração;
- manutenção de um estado de alerta constante;
- distorção da percepção da realidade;
- intensificação de sintomas ligados ao estresse e ao sofrimento emocional.
Em termos mais atuais, esse estado de saturação cognitiva e esgotamento emocional se aproxima do que especialistas descrevem como ‘brain rot’: uma sensação de desgaste mental provocada pelo excesso de conteúdos pouco nutritivos ou emocionalmente exaustivos.
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Como evitar o doomscrolling: estratégias práticas
Evitar o doomscrolling não significa deixar de se informar. O ponto é criar limites mais conscientes para que o consumo de notícias e conteúdos negativos não ocupe o seu tempo, o seu sono e o seu equilíbrio emocional.
Especialistas em saúde mental e comportamento digital recomendam combinar redução de exposição, revisão de rotina e mudanças no modo de usar as redes sociais. Entre as estratégias mais recomendadas, estão:
- definir horários para ver notícias;
- evitar redes sociais antes de dormir e logo ao acordar;
- estabelecer limites de tempo de uso;
- silenciar notificações que criam senso de urgência constante;
- revisar quem você segue e o tipo de conteúdo que consome;
- trocar o consumo passivo por um uso mais intencional;
- fazer pausas conscientes ao perceber sinais de sobrecarga;
- buscar fontes confiáveis e checar notícias em blocos.
Esse tipo de ajuste faz sentido também do ponto de vista das evidências.
Um estudo publicado na JAMA Network Open mostrou que, entre jovens adultos, uma pausa de uma semana nas redes sociais esteve associada à redução de 16,1% nos sintomas de ansiedade, 24,8% nos de depressão e 14,5% nos de insônia.
O dado não significa que toda pessoa precise abandonar completamente as plataformas, mas reforça que reduzir a exposição já pode trazer benefícios relevantes.
Doomscrolling: quando a informação deixa de informar
No fim, entender o que é doomscrolling é perceber como o consumo excessivo de conteúdos negativos pode afetar mais do que o tempo de tela. Quando esse hábito se torna recorrente, ele passa a impactar o humor, o sono, a concentração e até a forma como enxergamos o que acontece ao nosso redor.
Por isso, reconhecer os sinais do doomscrolling é importante para construir uma relação mais equilibrada com as redes sociais. Informar-se continua sendo necessário, mas isso não precisa acontecer às custas do bem-estar, da rotina e da saúde mental.
Mais do que apontar os efeitos desse comportamento, essa reflexão também reforça a importância do uso consciente da tecnologia. As redes sociais e os ambientes digitais podem ser espaços de informação, conexão e entretenimento, desde que sejam utilizados com mais intenção, senso crítico e atenção aos próprios limites.
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